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Portugueses na Holanda

O principal meio de informação em português na Holanda. Notícias, informação e ponto de encontro da comunidade portuguesa.

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Viruswaarheid - A Verdade do Vírus

Wikimedia Commons

 

Anteriormente conhecido como Viruswaanzin (Vírus da Loucura) mudou mais tarde para Viruswaarheid (Vírus da Verdade) e tornou-se uma fundação registada na Kamer van Koophandel. Este é o grupo responsável por várias manifestações, pelo movimento #ikdoenietmeer e pelo recente caos jurídico envolvendo a legalidade do recolher obrigatório. Em uma pesquisa Portugueses na Holanda, vamos conhecer este grupo de "pela verdade" e do seu fundador.

O Fundador

Willem Engel nasceu em 1977 na cidade de Utrecht. Filho de um famoso especulador imobiliário de Rotterdam, Cees Engel, cresceu numa família com mais três irmãos e dez meio-irmãos. Estudou biofarmácia na Universidade de Leiden, mas nunca acabou a sua tese de doutoramento, iniciando uma escola de dança zouk em 2008. Iniciou o seu activismo depois de imposto o confinamento no país, que obrigou ao encerramento da sua escola de dança. A partir daí tem sido o rosto mais famoso e activo contra as regras de combate à pandemia.

Vírus da Verdade - Viruswaarheid

Em comparação com Portugal, podemos colocar este grupo no mesmo do Médicos Pela Verdade ou Jornalistas Pela Verdade. Criado por Willem Engel com o nome Viruswaanzin em 2020 e depois de alguns protestos em Amsterdam que resultaram em violência, mudou o seu nome para Viruswaarheid e a registou como fundação.

Com um discurso tipicamente céptico, compararam a obrigação do uso de máscaras nos transportes públicos ao uso da estrela de David, usado pelos judeus durante a ocupação nazi dos Países Baixos. Em outra vertente a qual o grupo está conectado é à da organização de manifestações, onde as regras sociais de combate à pandemia são ignoradas. Muitas destas manifestações acabaram em confrontos com as autoridades.

Em Agosto de 2020 o seu discurso tornou-se mais preocupante e agressivo. Os vídeos colocados na sua página falavam em traição de políticos, cientistas e directores de informação, apelando aos seus seguidores a recolha de provas incriminatórias contra eles. Segundo Engel, estas posições deveriam ser banidas e julgadas. Ainda em Agosto, o pedido de uma revolta popular sangrenta foi comparada pela sociedade ao assassinato dos irmãos De Witt em 1672, quando estes foram torturados e mortos por milícias populares. O grupo é agora ligado a movimentos e pensamentos anti-democráticos, sendo o seu fundador acusado de pertencer aos perigosos movimentos de extrema-direita e anti-ciência que têm crescido no país e Europa.

Altamente críticos das medidas de combate ao covid-19, iniciou vários processos em tribunal contra o governo e RIVM (Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente). Sempre rejeitados pelos tribunais, pois as medidas são baseadas em factos científicos. Muitas vezes acusados de espalhar teorias de conspiração e organização de revoltas populares, tiveram a sua maior e única vitória jurídica no passado dia 16 de Fevereiro de 2021 por um tribunal de Den Haag. Este tribunal concordou com as acusações de que o recolher obrigatório não podia ser imposto legalmente. A lei que supostamente sustentava esta medida não era a adequada à situação presente. Depois de um recurso pelo Estado, a medida permanece ainda em vigor, mas foi criada uma lei de emergência, dentro da chamada Lei Corona, para sustentar o recolher obrigatório, caso o recurso dê razão ao primeiro tribunal.