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Portugueses na Holanda

O principal meio de informação em português na Holanda. Notícias, informação e ponto de encontro da comunidade portuguesa.

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Vacinação Não Devida nos Países Baixos

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É um assunto que temos visto a ser apaixonadamente debatido nas redes sociais e nas televisões. Muitos criticam, outros aprovam. Mas a verdade é que o problema das vacinações indevidas para a covid-19 não é um exclusivo português e muito menos resultados de uma política de quem governa. Acima de tudo é um problema humano e de quem tem acesso a esse poder e regalia. Também os Países Baixos tem a sua quota parte de casos de vacinações não planeadas.

Pelo menos nove grandes organizações de saúde em Zuid-Holland convidaram todos os funcionários das suas casas de saúde para uma vacinação no passado mês de Janeiro, contra os acordos realizados entre as instituições de saúde e governo. A directiva de vacinação apenas previa os profissionais de saúde com contacto directo com os residentes recebessem a vacinação prioritária. Uma das organizações, a Argos Zorggroep, vacinou até trabalhadores ao domicilio que não tinham nenhuma tarefa de cuidadores, segundo uma pesquisa levado a cabo pela RTL Nieuws.

Entre os funcionários que receberam convite da Argos para a vacinação estão por exemplo, cozinheiros, funcionários da administração, analistas de dados e mesmo funcionários de reposição de produtos alimentares. Alguns destes profissionais trabalham em casa sem contacto directo com os residentes das casas de saúde. 

O facto de isto ter acontecido não se deve a um erro de interpretação das directivas, mas a uma decisão deliberada da direcção do grupo. Não se trataram de vacinas que sobraram após a injecção nos residentes. Estes funcionários foram vacinados no GGD, antes mesmo que os próprios residentes, a maioria, nos grupos de risco.

Sem Registos

Cerca de 2.300 pessoas trabalham na Argos, espalhados pelas onze casas de repouso que possuem, mas também cuida de idosos em casa. Não se sabe quantos funcionários aceitaram a vacina da covid-19. Os empregadores não estão autorizados a registar se um funcionário foi ou não vacinado. Na realidade, nem sequer se sabe quantas vacinas foram para os funcionários que não eram elegíveis para recebe-las. 

Se os membros do Conselho de Administração também receberam um convite para a vacinação, o porta-voz da Argos Zorggroep não informou. O director Edwin Wulff não respondeu igualmente às perguntas da RTL News sobre o caso.

A vacinação de funcionários em hospitais e de cuidadores de idosos ao domicilio começou no início de Janeiro. Foi determinado previamente quais eram os profissionais de saúde elegíveis para a vacinação prioritária.

Convites

A Argos faz parte de uma associação mais abrangente administrada pela ActiZ. Ela é a associação que junta aproximadamente 400 organizações de prestação de cuidados de saúde na terceira idade e que com cerca 400.000 funcionários, cuidam de dois milhões de idosos em situação frágil e com doenças crónicas.

 
Contacto Indirecto Também é Contacto
 
Apesar das criticas, a Argos continua a apoiar a sua decisão. “Se tivermos uma emergência aqui, os funcionários da administração também podem ser destacados para outras tarefas dentro da casa de saúde, como servir café aos residentes. Precisamos de todas as pessoas que possam prestar cuidados”. Segundo a Argos, isso aconteceu durante a primeira onda covid. 
 
Não é um problema único a esta prestadora de cuidados. Todas as outras oito principais organizações de saúde afiliadas à parceria da Conforte em Zuid-Holland vacinaram mais do que o estipulado. “Todos os funcionários que trabalham nas casas de saúde receberam um convite. Não só cuidamos dos funcionários que estão em contacto directo, mas também dos funcionários que estão em contacto indirecto com os residentes”, disse uma porta-voz. 

Segundo a Conforte, a vacinação foi alargada por exemplo, a recepcionistas e às cozinheiras que preparam as refeições. “Eles também entram em contacto com os moradores indirectamente. Eles estão em contacto com os funcionários que estão em contacto directo com os moradores”.

Esta situação de vacinações indevidas não agrada ao Ministro da Saúde Hugo de Jonge. "Não é hora de ser fixe e pensar: eu vou convidar todos os trabalhadores. Qualquer vacina dada a alguém que não precisa já, vem às custas de faltar a alguém que precisa muito mais. Temos que ser prudentes." Deve haver prudência na administração das vacinas covid-19. Para além do inicio tardio do programa de vacinação na Holanda, todos os países europeus estão a sofrer atrasos na recepção de novas doses, o que coloca em causa os calendários e a rapidez de vacinação.

O ministro não entende a defesa da Argos de que todos são necessários na saúde. "Não funciona assim. O acordo foi muito bem feito com as instituições de cuidados de saúde e todos sabiam disso." O ministro diz que entrará em contacto com as organizações de saúde que são conhecidas por vacinar além do planeado.