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Portugueses na Holanda

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Política ao Rubro. Moção de Censura a Mark Rutte

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

 

Ainda não foi sequer nomeado o novo governo e já Mark Rutte pode ser demitido, em sentido pessoal, como o primeiro-ministro cessante da Holanda do anterior governo. “Se a moção for aprovada, ele deve ser substituído. Não pode é ser despedido como deputado”, diz Tom van der Meer, professor de ciência política da Universidade de Amsterdam, que aponta as possíveis consequências de uma moção de censura aprovada contra Rutte.

Esta tarde de quinta feira, Geert Wilders (PVV) apresentou uma moção de censura contra o primeiro-ministro cessante, depois de ter chamado o Primeiro Ministro de mentiroso e de Pinóquio e querer novas eleições. Se a moção for aprovada, outra pessoa terá que assumir o lugar de Rutte, diz Van der Meer. “Alguém tem de liderar o Ministério dos Assuntos Gerais e alguém tem de liderar o Conselho de Ministros”, diz o professor.

A possível renúncia do primeiro-ministro cessante não significa que novas eleições tenham de ser convocadas, porque o governo já tinha caído em consequência do caso dos subsídios. “Na Holanda, nos últimos cinquenta anos, temos a prática de que, se o governo cair, convocam-se novas eleições. Isso já aconteceu e nenhum novo governo foi formado ainda. Então não há necessidade de se convocar novas eleições. Mas se isso acontecer é então uma questão política”, explica Van der Meer.

Outros Partidos

Os partidos da oposição estão furiosos com o líder do VVD Mark Rutte, que a princípio disse que não ter mencionado Pieter Omtzigt do CDA, uma das figuras apontadas para uma pasta no novo governo, durante as suas conversas com os negociadores responsáveis pela formação do novo governo, embora agora se tenha descoberto que realmente seja esse o caso.

"Já pensamos que Rutte não pode ser um líder confiável deste país por mais uma semana contando mentiras", diz Farid Azarkan, líder do DENK.

Rutte tem um grande problema para mim”, diz a líder do SP, Lilian Marijnissen. “É inconcebível que o primeiro-ministro tenha mentido”, antes do debate sobre o caso. Nos relatórios das entrevistas que foram divulgados, está registado que Rutte teria dito: "Você tem que fazer algo com Omtzigt."

A líder do D66 e do segundo partido mais votado nas eleições do dia 17 de Março, Sigrid Kaag, também está chocada com os comentários que o líder do VVD, Mark Rutte, fez sobre Pieter Omtzigt (CDA). "Isso não é bom." Kaag não quis dizer se ainda tem confiança em Rutte para formar uma coligação.

Já Wilders acredita que o primeiro-ministro Mark Rutte deve renunciar e que novas eleições devem ser realizadas. De acordo com Wilders, Rutte mentiu aos Países Baixos ao negar ter dito qualquer coisa. “Ele mentiu e muito.” Ele pede que Rutte renuncie, mas também anunciou uma moção de censura durante a primeira parte do debate.

Caos Total

A formação de um novo governo degenerou no caos total devido ao descuido com um memorando secreto na semana passada. Depois de confirmar um teste covid-19 positivo, Ollongren caminhou com suas anotações pelo pátio do Binnenhof e foi fotografada no processo, com as anotações visíveis na foto. Kajsa Ollongren (D66) e Annemarie Jorritsma (VVD) intensificaram entretanto o seu trabalho como negociadoras e ontem elas já compartilharam alguns relatórios secretos com o parlamento. Esta manhã, a pedido da Câmara dos Deputados, dezenas de outras páginas foram publicadas, parcialmente manuscritas por funcionários.

Essas páginas mostram que Rutte estava chateado com um CDA relutante. Na conversa de Rutte com as negociadoras, o primeiro-ministro afirma que espera que o partido melhore: “Você provavelmente precisa deles. Fica muito complicado sem o CDA. Pode ser necessário mais tempo. Se Wopke tiver mais votos do que Omtzigt, isso ajudará”. Em seguida, seguem as frases: "posição Omtzigt, posição em outro lugar", "... Hoekstra posto no gabinete" e que os "partidos de esquerda realmente não sustentavam" a coligação.

Rutte foi aguardado por um grande grupo de jornalistas na quinta-feira, mas não se quis pronunciar sobre o debate. Ele disse que primeiro queria falar à Câmara dos Deputados. Lá ele disse: "Eu não deveria ter dito que não houve um debate sobre o caso. Tanto quanto é do meu conhecimento e consciência, falei à imprensa sobre a conversa com as negociadoras.”

Ele não se lembrava de ter falado sobre Omtzigt do CDA nas suas conversas com as negociadoras. “Eu não menti. Lembrei-me desse erro depois e lamento profundamente”, disse Rutte, que se desculpou pela declaração errada na imprensa.