Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Portugueses na Holanda

O principal meio de informação em português na Holanda. Notícias, informação e ponto de encontro da comunidade portuguesa.

Portugueses na Holanda

O principal meio de informação em português na Holanda. Notícias, informação e ponto de encontro da comunidade portuguesa.

Pandora Papers - Ministro das Finanças na Lista

Imagem de Richard Broekhuijzen sob licença (CC BY-SA 4.0)

 

Não só Portugal está incluído nos Pandora Papers com o vice-presidente do PSD, Nuno Morais Sarmento; Vitalino Canas, escolhido pelo PS para integrar o Tribunal Constitucional e Manuel Pinho, antigo Ministro da Economia de José Sócrates. Os Países Baixos também não escapam, aparecendo na lista banqueiros e políticos, entre eles o Ministro das Finanças Wopke Hoekstra.

O ministro das Finanças, Wopke Hoekstra, está sob uma chuva de criticas, depois de ter sido divulgado os Pandora Papers no fim de semana passado, em que ele investiu 26.500 Euros através de uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A Financieele Dagblad (FD) e a Trouw divulgaram o investimento com base nas informações dos Pandora Papers. O FD disse que, embora Hoekstra não tenha infringido a lei, o negócio o tornou accionista da Candace Management Ltd, uma empresa de fachada que desvia capital de investimento através do país caribenho. Como Ministro das Finanças, Hoekstra colocou as Ilhas Virgens numa lista de países aos quais se aplicam regulamentações mais rígidas para evitar a evasão fiscal.

Acções Vendidas

Segundo Hoekstra, ele vendeu a sua participação em 2017, uma semana antes de ser nomeado Ministro das Finanças no governo de Mark Rutte. Ele disse igualmente no Twitter que doou os 4.800 Euros de lucro que obteve para uma fundação holandesa de pesquisa do cancro. O investimento foi realizado em 2009 numa empresa que financiou parques de safaris no Quénia e na Tanzânia. Hoekstra alegou que não sabia que a empresa era registada nas Ilhas Virgens Britânicas ou administrada por meio de um escritório fiduciário na Ilha de Man.

Recorde-se que Wopke Hoekstra se opôs a uma resposta solidária europeia à crise provocada pela pandemia e queria investigar os países do Sul da Europa por não terem "margem orçamental" para responder à emergência de saúde pública.

Banqueiros

De acordo com a Trouw e a FD, o presidente do conselho fiscal do ABN Amro, Tom de Swaan, também fazia parte do clube de investimento privado no qual Hoekstra estava envolvido. De Swaan foi nomeado para o banco pelo próprio Hoekstra em Julho de 2018. 

O ex-banqueiro de investimento Wilco Jiskoot e Alexandra Schaapveld, comissária na Société Générale e até recentemente também no banco de desenvolvimento FMO, também fazem parte deste clube de investimento nas Ilhas Virgens.
Tom de Zwaan disse que vai se desfazer da sua participação, tal como Hoekstra e doar os lucros da venda. O ABN Amro ainda está 50% nas mãos do Estado holandês, mas o Ministério das Finanças disse ao Financieele Dagblad que não interferiu na decisão de De Zwaan.

Legalidade

As Ilhas Virgens Britânicas são um dos maiores paraísos fiscais do mundo, um país com alto risco de lavagem de dinheiro, que tem sido cada vez mais proibido pelos bancos holandeses desde os Panama Papers em 2016. O FD alega não ter encontrado indícios de evasão fiscal e as pessoas envolvidas declararam os seus interesses ao Fisco.

Lista Mundial

Para além dos nomes holandeses e portugueses, encontram-se igualmente cerca de 35 actuais e ex-líderes mundiais. O rei Abdullah da Jordânia acumulou secretamente propriedades britânicas e americanas no valor de mais de 81 milhões de euros, principalmente em imóveis. Os documentos também mostram que o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e sua esposa economizaram mais de 364.000 Euros quando compraram um escritório no valor de mais de 7 milhões de Euros por meio de uma empresa offshore.

O presidente russo Vladimir Putin está ligado a activos secretos no Mónaco e mostram que o primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, é dono de uma empresa de investimentos offshore que usou para comprar duas mansões no valor de € 14 milhões no sul da França.

 

Portugueses na Holanda sempre informou a sua comunidade gratuitamente e sempre o irá fazer no futuro.
Mas o futuro coloca também desafios, que só com a ajuda dos nossos leitores, conseguem ser superados.
Iniciamos assim a subscrição de apoiantes da nossa plataforma, onde por um pagamento mensal recorrente podem apoiar o crescimento desta plataforma. Esse pagamento poderá ser cancelado sempre que quiserem.