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Portugueses na Holanda

O principal meio de informação em português na Holanda. Notícias, informação e ponto de encontro da comunidade portuguesa.

Portugueses na Holanda

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Nós Por Cá - Nuno Junior

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      Desta vez vamos falar de um outro tipo de imigrantes na Holanda: os jovens menores.
Ao contrário de seus pais, que imigram geralmente devido ás suas escolhas profissionais, os jovens menores não têm escolha a não ser acompanhar os seus encarregados de educação. Mas são os jovens que mais sentem a mudança de país.

Nuno Junior foi um desses jovens que imigrou com a sua mãe para a Roterdão quando tinha 10 anos.
Hoje com 18 anos, acabou o seu percurso escolar no Liceu e irá entrar para a Universidade de Den Haag para seguir Gestão Parlamentar.
Na altura que saiu de Portugal, pouco conhecia da Holanda, a não ser o que lia nas enciclopédias que sempre gostou de desfolhar para enriquecer a sua cultura geral.

 

      É claro que chega à Holanda sem expectativas de nada, a não ser a ansiedade de inicio de uma grande aventura. O idioma e a falta de amigos depressa se revelaram a maior dificuldade. “Na escola senti-me rejeitado pelas outras crianças e até mesmo pelos adultos”. Só depois de entrar para uma turma internacional conseguiu iniciar a sua integração. Sendo sempre o aluno mais novo nestas turmas, rodeado por isso de jovens mais velhos, conseguiu ter a ajuda e o incentivo extra. Esse foi o seu maior choque cultural. Em casa continuou a ter o contacto com a cultura portuguesa.

Fora de casa, hoje não vê essas dificuldades como negativas. Foram experiências onde teve "oportunidade de conviver não só com a cultura holandesa, mas visto estar numa turma internacional, também com culturas de outros países.”

 

      De Portugal, para além da família, sente a falta do nosso Sol e da nossa gastronomia e acima de tudo, da amizade e vida social depois do horário escolar que aqui na Holanda não existe. “Na Holanda foi mais casa/escola/casa.” Não sentiu a convivência entre amigos e colegas que experienciava em Portugal. “Em Portugal há um acolhimento que aqui não existe.”
Mas depois de ter crescido aqui, quando regressa a Portugal de férias também sente falta de algumas coisas da Holanda. Duas muito relevantes que considera os mais importantes pontos que permitem a um bom desenvolvimento do país. “A infraestrutura, como transportes públicos e organização do país, principalmente nas instâncias governamentais.” Aliado a estas duas, o bom planeamento a longo prazo para o futuro.

Tendo vivido uma mudança de país com 10 anos de idade, ninguém melhor do que ele para aconselhar os futuros pais imigrantes. São três as coisas que as crianças e jovens precisam: “motivação, motivação e motivação.”
As crianças até aos 10 anos conseguem integrar-se melhor se estiverem bem motivas e incentivadas. A escola e as actividades extra escolares são boas ferramentas. Para os jovens a partir dessa idade as coisas são mais difíceis, mas não impossíveis. A motivação e o incentivo terão de ser ainda maiores e os pais devem estar atentos também aos estados psicológicos dos seus filhos. Para estes casos, Nuno Junior e a sua mãe consideram que as “actividades desportivas são um óptimo e saudável complemento à integração.”

 

      E para o futuro? Holanda ou Portugal?
Para Nuno, Portugal não estará posto de parte se surgir uma boa oportunidade de trabalho, mas para já é na Holanda que quer aprender e iniciar uma carreira dentro da política e continuar os seus projectos pessoais. Projectos esses que passam pelo desporto, onde joga futebol pelo RKSV Leonidas, em Schiebroek – Roterdão.

Pelas causas sociais na Het Vergeten Kind, uma instituição de ajuda a crianças e jovens em risco a nível nacional que está baseada em Utrecht. Foi aqui há três anos, depois de um período mais difícil na sua adolescência que o fizeram perder um ano escolar, que descobriu o seu jeito para discursar e pela política, que passou a desenvolver através da participação numa campanha de sensibilização para a importância do apoio a crianças desprotegidas. Participou em vários debates, num programa televisivo na Holanda sobre o assunto, onde conversou com o Secretário de Estado para a Saúde, Bem Estar e Desporto, Martin Van Rijn.

Numa segunda campanha, onde também participou, foi um dos principais mensageiros para uma sensibilização dos políticos com o objectivo de mudarem as leis para melhor proteger e acima de tudo, apoiar as crianças e jovens dentro das instituições. Já com artigos escritos em revistas da especialidade, participações em reuniões com membros do Parlamento da Holanda, foi também a cara de um comercial televisivo da instituição sobre os Abrigos para Mulheres em Risco. 

Recentemente, entrou na organização Young 010, um conselho consultivo de jovens da Gemeente Rotterdam para recomendações em relação a assuntos de e para jovens na cidade. Uma organização apartidária, mas que pretende envolver juvenis na política, nos problemas, soluções e sua resolução, com um olhar jovem e virado para o futuro. Até porque como diz, “os jovens estão muito desligados da política e eles são necessários para garantir o futuro.”

      Esta é a forma que encontrou de seguir o seu sonho de mudar o Mundo.