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Portugueses na Holanda

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KLM Realiza o Primeiro Voo do Mundo com Combustível Sintético

Imagem de A Beijeman por Pixabay

 

Os passageiros que aguardavam em Schiphol o voo KL1703 para Madrid no passado mês de Janeiro, não tinham ideia de que estavam num voo especial. Até que o capitão pegou no microfone e disse que seriam os primeiros a voar com combustível sintético, produzido de forma sustentável. O aparelho da KLM tinha 500 litros de querosene sintético sustentável no tanque, produzido a partir de dióxido de carbono (CO2), electricidade verde e... água, além da querosene normal. É a primeira aeronave a voar com este tipo de querosene.

O feito foi anunciado pela Ministra dos Transportes e Infra-estruturas Cora van Nieuwenhuizen, na manhã de segunda feira em Den Haag, durante uma conferência digital internacional sobre o futuro dos combustíveis sustentáveis ​​para aviação. A pedido do ministério, a Shell produziu hidrogénio verde usando electricidade adquirida por painéis solares. O CO2 foi capturado na zona industrial de Pernis - Rotterdam e numa quinta em Friesland. Querosene amigo do ambiente é feito a partir destes dois químicos juntamente com água.

A ministra queria mostrar na prática que voar com querosene sintético sustentável é possível. "500 litros é claro que é muito pouco para um avião, mas já é muito mais do que criado em condições de laboratório", diz Van Nieuwenhuizen. "A intenção agora é crescer até ao nível europeu e torná-lo mais acessível."

A Ministra van Nieuwenhuizen, juntamente com a França, Alemanha, Suécia, Finlândia e Dinamarca, está a pedir à Comissão Europeia que apresente um plano obrigatório para o uso de querosene sustentável. Desta forma, as companhias aéreas teriam que usar uma proporção cada vez maior nos tanques de combustível das suas aeronaves. Em 2050, a aviação, como outros sectores, deve ser completamente neutra em relação ao C02.

Produção

Várias companhias aéreas estão a trabalhar com bioquerosene em pequena escala, mas as matérias-primas são limitadas. O querosene sintético sustentável também não será produzido em grande escala a curto prazo.

Realmente precisamos de mais tempo”, disse Marjan van Loon, CEO da Shell. “Temos que aumentar a produção para baixar os custos. Precisamos de muita electricidade produzida com renováveis. E precisamos de uma política, preferencialmente a nível europeu, em que o sector de aviação seja estimulado a usar também este combustível”.

A quantidade de electricidade verde necessária ainda é um grande obstáculo à produção de querosene sintético. Se a Holanda quiser gerar ela própria a energia para isso, serão necessários muito mais parques eólicos offshore do que os que estão planeados actualmente. Uma alternativa é que o hidrogénio seja importado de outros países onde há muita electricidade disponível produzida por energia solar.

Mesmo que as coisas corram bem com o desenvolvimento comercial de querosene sintético sustentável, isso não significa que voar ficará mais barato. O processo de produção deste combustível de aviação é muito mais caro do que o querosene normal retirado do petróleo. O consumidor vai pagar por isso e, portanto, as passagens ficam mais caras. É bom para o clima, mas não significa imediatamente recuperação económica para as companhias aéreas.

A aviação não está incluída no acordo climático de Paris, mas tanto a UE como a Holanda definem objectivos climáticos para a aviação. Por exemplo, a Comissão Europeia vem aumentando as taxas das emissões de CO2 para a aviação. A Holanda comprometeu-se com as exigências de redução de CO2 em contrapartida com os milhões de euros de ajudas governamentais que a KLM recebe para sobreviver à crise provocada pela pandemia de covid-19.